Que temos olhos viciados não é novidade. Que a criança tem um olhar novo para tudo e todos também não. A criança está descobrindo o mundo, a cidade, as pessoas, o viver... tudo!
Nós, com os olhos viciados passamos pelas pessoas na rua, não as vemos, não ligamos...
Um dia uma garotinha andando toda sorridente puxa a blusa da mãe e pergunta "por que este homem está sentando no chão? Por que este homem está passando frio? Por que ele não sorri mãe?"
A mãe simplesmente olhou, viu que era um mendigo, saiu puxando a filha e disse "não é ninguém!"
Como assim não é ninguém?? Ele não é um ser humano? Ele não é como você?
E assim viciamos mais um olhar puro a algo novo. Aquela garota que está descobrindo um mundo novo descobriu a pobreza. Não gostou, questionou, mas os adultos, detentores de todo saber simplesmente reduzem a uma palavra "ninguém".
A garotinha não se deu por satisfeita. Ficou olhando, virava a cabeça para entender aquilo. Por que ele está no chão? Por que ele passa frio? Por que? Por que?
Agradeço por ter crianças com o olhar puro da descoberta para assim nos mostar que não, isso não é normal.
E ainda vem a pior parte. Quem é pior, a mãe que disse "não é ninguém" ou eu, que passei reto mesmo a criança tendo me mostrado que estou com o olhar viciado... espero encontrar com a garota, para que ela possa me ensinar a ver, enxegar e questionar.
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