quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Rotina
domingo, 8 de novembro de 2009
Desconexos
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Diálogo Online
Pessoa 1 – Estou angustiada.
Pessoa 2 – A minha passou
Pessoa 1 – Que bom.
Pessoa 2 – Com o que?
Pessoa 1 – Não sei...
Pessoa 2 – Estou com sono...
Pessoa 1 – Acho que com a relação humana...
Pessoa 2 – fome. Quero comer um lanche!
Pessoa 1 – a forma como nos tratam...
Pessoa 2 – E como tratamos os outros?
Pessoa 1 – Também.
Pessoa 2 – Estava por causa dele...
Pessoa 1 – Mas sempre passa não?
Pessoa 2 – Ele me traiu...
Pessoa 1 – Concordo com você, um bauru iria bem.
Pessoa 2 – O pior é que foi com ela... com a única pessoa que eu pedi para que não fizesse isso.
Pessoa 1 – Angústia
Pessoa 2 – Uma hora passa.
Pessoa 1 – Ele ira receber o que merece...
Pessoa 2 – Sono!
Pessoa 1 – Uma hora ou outra tudo isso volta.
Pessoa 2 – O que as pessoas te fizeram?
Pessoa 1 – Hmmmm...
Pessoa 2 – Com a vida?
Pessoa 1 – Provável.
Pessoa 2 – Sede!
Pessoa 1 – E ele, você vai romper?
Pessoa 2 – Angustia é uma merda não?!
Pessoa 1 – Gostaria de amar...
Pessoa 2 – Odeio odiar, odeio amar, odeio a angustia!
Pessoa 1 – Será que algum dia alguém me amara?
Pessoa 2 – Sono!
Pessoa 1 – Angústia!
Pessoa 2 – Vou dormir! Amanhã será um longo dia...
Pessoa 1 – Dá um nó na garganta...
Pessoa 2 – Odeio ele!
Pessoa 1 – Vá dormir!
Pessoa 2 – Boa noite! ... Melhor?
Pessoa 1 – Algum dia estarei... espero...
Ainda está ai?
Sorte amanhã caso você veja essa mensagem antes....
Boa noite!
Ainda estou angustiada...
Nó na garganta....
Te amo sabia?
Mas você não está mais aqui....
Sorte! caso você veja antes de ir... sorte....
Ainda estou angustiada...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
... Pertencer, Ser ...
As vezes o questionamento do por que a dificuldade de respirar, o por que dessa dor é o maior de todos. Não nos entendemos. Seres ínfimos e sem consistência que somos. Seres efêmeros e ocos. Seres egoístas e sem sentimentos verdadeiros. Por que nos preocupar? Por que fingir que nos preocupamos?
Você não sente vergonha de ser o que é? Não sente vergonha de ser “humano”. E, somos verdadeiramente humanos? Somos o que afinal? Para que tudo isso? Para que a vergonha?
Quero gritar!
“Mãe, posso gritar?”
Quero tudo e todos. Quero ser perfeita. Acima de tudo quero que todos sejam perfeitos. Quero sumir! Quero aparecer!
Quero poder pincelar minha própria vida.
Por que a sociedade? Por que a convivência? Por que não o isolamento? Isolamento... isolamento psicológico, isolamento físico. Vivo agora o pior deles, o isolamento psicológico provocado pelo físico.
Quero a desgraça, mas quero sorrir um sorriso verdadeiro.
Quero tudo e a todos. Todos.
Quero antes de tudo pertencer a esse mundo, fazer parte.
Pertencer, ser.
E nunca mais ser esse ser dualista que vos fala...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
As cerejas
Daniel e André. Irmãos univitelinos. Daniel, o mais velho, é alto, moreno, olhos claros, 27 anos, solteiro, odeia o emprego e sente inveja do irmão. André, o mais novo, tem as mesmas características físicas do irmão; mas já ao contrário, está noivo, é bem sucedido, adora o emprego e não sente inveja de ninguém. Daniel odeia ser a sombra do irmão, odeia ser o mais velho e mesmo assim ser comparado ao outro, ser confundido com o outro e principalmente, sempre odiou que o nome de André vinha antes na chamada da escola.
Sabendo do perfil dos nossos protagonistas, somos levados para o réveillon de 1999 no Rio de Janeiro, especificamente
A festa está animada, todos de branco (como de costume no Brasil, e afinal, de onde vem essa tradição?) e Roseli não era exceção. Estava em um lindo vestido, modelito vindo de Milão, branco, esvoaçado. Ela, Morena, alta, com todos os itens de série que os homens gostam direto da fábrica. Após muitos champagnes, vinhos, cervejas, enfim, destilados e fermentados de todos os tipos; depois também da contagem regressiva, beijos, abraços, promessas e tudo mais que as pessoas fazem no ano novo a festa acabou. André, na verdade Daniel e sua noiva, na verdade a noiva do André (que confusão) saíram. Daniel, como bom cavalheiro que André é, levou Roseli até o apartamento dela. Chegando lá, como boa noiva bêbada, ela o convidou para entrar. Foram para o quarto. Começam a despir um ao outro. Entre os beijos, carícias, sussurros... Roseli pára, fica imóvel, boca aberta...
- DANIEL!, estou bêbada, não cega!
Daniel, tão assustado quanto Roseli não entende nada. Mas é claro, corpos idênticos no nascimento, mas não necessariamente que fiquem assim para sempre. Em um momento fora de si, André fez uma tatuagem de duas cerejinhas vermelhas na nádega esquerda. Ela ficou sem reação, não acreditava que tinha sido enganada, que quase estava pelada na frente do irmão do seu noivo. Ele, não acreditando que não realizaria seu sonho de dormir com a cunhada ficou sem reação. Ela não grita, ele não se meche. Ela bate, dá socos. Ele continua a não fazer nada. Ela bate mais ainda. Ele então olha fixamente para ela e leva as mãos a garganta. Ela estranha sua reação. Ele dá alguns passos para trás, solta grunhidos, fica roxo, cai de joelhos. Ela entende menos ainda, se ajoelha, sacode o tronco dele. Ele cai de boca aberta. Já não esboça mais reações, não respira, não lacrimeja, não nada. Ela senta. Fica quieta, não entende. Passa as mãos pelo rosto dele. Estava com raiva, mas não queria um desfecho desses. Eis que percebe que a unha postiça vermelha do dedo anelar da mão esquerda não está mais lá. Começa a olhar no chão ao redor. Não acha. Até que vê de relance uma coisa brilhante no fundo da garganta dele. Lá, lá está a unha postiça vermelha, e a causa da morte...